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>Finalmente, Curitiba treina - Shugyo Dojo 10 Anos | ![]() |
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Texto 5: FINALMENTE, CURITIBA TREINA
Finalmente chega o mês de maio. Exatamente no dia 5 de maio, uma sexta-feira, recebi uma ligação, ainda pela manhã, no meu local de trabalho. Do outro lado da linha uma voz familiar do Nicolás Sensei com aquele forte sotaque latino me disse que havia alguém querendo falar comigo. Era o tão aguardado e falado Rodolfo Sensei. Trocamos algumas breves palavras pois, naquela época, faixa-preta de Aikido era artigo de luxo e o respeito era muito grande...afinal eu estava falando com o meu Sensei e queria causar-lhe uma boa impressão.
Ao retornar o telefone e falar novamente com Nicolás Sensei, prontamente combinamos para o dia seguinte às 9 horas da manhã, um encontro nas dependências do ginásio do Centro Politécnico para conhecer o Sensei Rodolfo e, claro, dar uma treinadinha. Veio o dia seguinte e às 8 horas eu já estava lá no ginásio aguardando...eu e minha esposa ansiosos por conhecer aquele que seria o meu mestre e quem eu deveria ajudar...conforme prometido ao Shihan Kawai. Logo percebi, ao longe, Nicolás Sensei chegando com um garotinho loiro e logo saí comentando com a Maristela: - O que será que aconteceu? O Sensei Rodolfo não deveria vir junto com ele? Será que ele vem depois, sozinho? Para minha surpresa, Nicolás Sensei me apresenta aquele garotinho loiro: - Gilberto, esse é o Sensei Rodolfo que veio para representar o Aikido aqui em Curitiba. Um tanto surpreso com a aparência frágil, afinal o Sensei Rodolfo é mais baixo e mais magro do que eu. Eu estava acostumado com Fernando Sensei...um pouco mais alto do que eu e Pádua Sensei...bem mais alto, Nicolás Sensei...mais alto e mais forte, enfim, Sensei Rodolfo era, no mínimo, diferente. Apesar da surpresa, estava muito feliz e empolgado com a presença dele e fui logo me apresentando: - Muito prazer, Sensei, meu nome é Gilberto, sou seu aluno e estou aguardando a sua chegada desde que soube que o senhor viria, conforme Kawai Sensei me falou lá em São Paulo. A partir desse primeiro encontro nossas vidas passaram a mudar. Desde então, não houve um dia sequer em que Sensei Rodolfo e sua família não estivesse em meus pensamentos e em meu coração. Passamos juntos por muita coisa. Foram demonstrações, treinos...treinos fortes, treinos suaves, grandes viagens, novos amigos, nascimento dos nossos filhos, eventos sociais, churrascadas, festas de aniversário, decepções, tristezas, perda de amigos queridos, mudanças, casamentos de colegas, formaturas de colegas, lesões, exames de graduação e todas as situações que o Aikido pode nos proporcionar...tudo valeu a pena e continua valendo, cada segundo vivido...posso afirmar sem medo de errar. Com tudo isso. tive a sorte de acompanhar de perto toda a trajetória do Aikido aqui em nosso estado. Sensei Rodolfo conduziu sabiamente as coisas do Aikido por aqui. Foram momentos de muita alegria e felicidade mas também tivemos muitos problemas. Problemas de estrutura, problemas de poucos alunos, problemas financeiros e outros que não valem a pena nem comentar. Enfim, tudo aconteceu de forma natural, com muito empenho e dedicação do Sensei Rodolfo, da sua família e de todos os seus alunos mais antigos que ficaram. Apesar das dificuldades, como grande guerreiro e certo de sua missão, Rodolfo Sensei perseverou. Logo no primeiro mês de treino promoveu algumas demonstrações e a aula inaugural, conforme orientação de Kawai Sensei. Sempre estive presente nessas aulas e demonstrações, eu e a Maristela, minha esposa. Aos poucos as pessoas foram chegando para treinar. O primeiro local foi na academia Flex Company...no bairro Batel, no 12º andar de um luxuoso prédio comercial. O segundo local foi em um centro de estudos de artes marciais filosóficas, Instituto Bodhidharma, no centro de Curitiba, a poucas quadras do estádio Couto Pereira, em um ambiente que tinha tudo a ver com o Aikido. Muito calmo em um prédio antigo porém muito bonito, com uma música bem suave e uma garrafa térmica de chá de ervas sempre nos aguardando na entrada. No instituto, apareceram pessoas adoráveis e inesquecíveis como o Evaldo e a Jocília. Pessoas que frequentemente estamos nos encontrando em eventos ou simplesmente em passeios pela cidade e que lembramos com saudades aqueles tempos de Aikido. Outro local marcante para o nosso Aikido foi a Academia Muzenza, onde até fizemos o nosso primeiro exame de faixa em 1996. Entretanto, creio que o local que mais contribuiu para a formação do nosso grupo foi o Dojo Zen, que ficava nas dependências do estádio do Coritiba Foot Ball Club – o Couto Pereira, logo acima da churrascaria, prédio que hoje não existe mais no mesmo local. Nesse local, havia um grupo de praticantes em que o seu Sensei havia viajado e não mais retornou para continuar os treinos de Aikido. Esse grupo não tinha nenhuma filiação oficial, mas contava com praticantes de várias graduações e estava sendo liderado pelo aluno mais graduado, um faixa azul chamado Rafael Somma, o qual tive o prazer de me encontrar em uma festa de encerramento de ano do nosso grupo em 2009. Ele é professor de Educação Física e se tornou personal trainner de um de meus alunos. Fiquei surpreso com o reencontro. Em meio a esses praticantes havia uma pessoa muito dedicada e atenta a tudo, com muita facilidade para aprender e que me serviu como parâmetro na evolução da minha condição física e técnica. Ele foi se mostrando cada vez mais envolvido com o grupo e demonstrando uma grande capacidade de fazer amigos e atrair pessoas para junto dele. Trata-se do Italo Sensei, que já portava a faixa amarela e que passou a ostentar o posto de Sempai (aluno mais antigo)do nosso grupo, uma vez que todos os demais, mais graduados, foram desistindo do Aikido, alguns por problemas particulares, outros por problemas profissionais e outros por incompatibilidade com as novas diretrizes do Aikido. Para o Italo, o Rodolfo Sensei deixou claro que ele teria que passar pelo exame de faixa amarela novamente, pois o exame que ele fez não teria validade em nosso grupo. Italo Sensei imediatamente concordou e lhe foi permitido utilizar a faixa amarela mesmo antes de fazer o referido exame. Quando chegou o dia do exame, estudante de medicina que era, Italo Sensei não pode comparecer ao exame, pois estava de plantão no hospital e todos ficamos surpresos com a sua ausência. Meses depois, quando fizemos exame da faixa roxa, Italo Sensei faz os dois exames no mesmo dia e em sequência, o primeiro para ratificar a sua faixa amarela e o segundo para ser promovido à faixa roxa...mais uma vez surpreendente, confirmando aquilo que ouço do Rodolfo Sensei desde que o conheço...”- O Aikido não tem atalhos!”. Após esse começo, outras pessoas foram chegando...Ilan, Aílton, Altemar, Fábio (mineiro), Luiz Gustavo, Luiz Guilherme e seus irmãos Rui e Pedro, José, Nereu e o meu "irmão" caçula Thyago, bem como tantos outros que lembro com carinho e saudade. Alguns se afastaram simplesmente e outros nos viraram às costas em momentos de decisão ou dificuldade. Alguns preferiram outros caminhos mais fáceis e outros se acharam auto-suficientes o bastante para ignorar todo o conhecimento e confiança que o Sensei Rodolfo nos conferiu. Todo esse processo inicial de estabelecimento do Aikido aqui no estado do Paraná foi assistido de perto e acompanhado icondicionalmente pela esposa do Sensei Rodolfo, Sensei Andréa Reolon, que havia treinado na Academia Central em São Paulo e chegando a graduação de faixa verde – 3º Kyu, sendo a praticante mais graduada entre todos nós. Entretanto, ela engravidou mais três vezes e isso a afastou por alguns momentos da prática do Aikido de maneira mais ostensiva. O tempo passou e a primeira turma de yudanshas (faixas-pretas) já estava por se formar. Mês de abril de 1999 e, inicialmente, foram seis novos yudanshas: Andréa Reolon, Italo Domingos, Gilberto Marecos, Luiz Gustavo Lacerda, Nereu Peplow e Flávio Moraes. Estávamos todos muito ansiosos mas a missão deveria ser cumprida. Prestamos os exames em duplas com os respectivos uke. Primeiramente foram chamados o Italo e Gustavo, em seguida eu e o Flávio Moraes. Com exames de outra cidade o Nereu e, ao final, individualmente, Andréa Sensei pode apresentar à banca sua bela técnica para encerrar a série de exames para shodan – faixa-preta 1º grau. Particularmente para mim, o exame foi algo indescritível. Ao final do exame eu estava visivelmente ansioso e, apesar de não cometer nenhum erro, o resultado ainda era um mistério...afinal eu poderia ter errado e nem me dado conta do erro. Entretanto o resultado foi um “-Aprovado por unanimidade!!!”. Não preciso dizer que um filme passou na minha mente e as lágrimas vieram como enxurrada. Não pude evitá-las ao ver minha esposa Maristela com os olhos marejados me dando sinal de positivo aos pés da coluna central da academia. Posso dizer sem medo de errar que foi uma das emoções mais fortes que já pude experimentar, pois só eu e a Maristela sabemos o que passamos até chegar este momento. Após esse impacto inicial eu deveria me dirigir à banca para assinar a extensa documentação para os faixas-pretas. Logo fui questionado por um simpático sensei, quinto grau e irmão do nosso prefeito, naquela época. Tratava-se do Sensei Célio Taniguchi – 5º grau, que me perguntou como estava a administração do irmão mais novo em Curitiba. Isso promoveu um momento de descontração com a minha resposta: “-Acho que o senhor deve fazer essa pergunta para minha esposa que é professora da Prefeitura Municipal de Curitiba e pode falar melhor do que eu!!!” ... acho que ele não foi perguntar nada a ela, talvez com receio da resposta. Apesar de considerarmos a administração do Sr. Cássio Taniguchi ter sido de satisfatória para boa. No dia seguinte, logo pela manhã, todos nós estávamos prontos para fazer o nosso primeiro treino com hakama. Foi um yudanshakai muito movimentado e, como de costume, cheio de histórias e ensinamentos do nosso saudoso mestre – Reishin Kawai Sensei Gilberto Marecos Faixa Preta 4º Dan – Aikikai / Shidoin |