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>Finalmente, Curitiba treina - Shugyo Dojo 10 Anos | ![]() |
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Texto 6: O AIKIDO SHUGYO DOJO
A viagem de retorno de São Paulo, após o exame, foi demais!!! Toda aquela tensão da nossa ida foi compensada com uma viagem muito descontraída...com muito barulho e muita bagunça...nem parecia que tínhamos oito faixas-pretas de Aikido lá dentro do ônibus.
Brincamos de tudo...cantamos, contamos piada, falamos de times de futebol e, por fim, fizemos uma guerra de travesseiros entre o pessoal da frente do ônibus e nós, do fundão...até trincheiras surgiram, homem bomba com o Rodrigo Coutinho deslizando por sobre o encosto dos bancos...nem o Sensei Rodolfo escapou...levou uma surra de travesseiros. Ao final dessa “guerra” tiramos uma foto no posto Petropen com as almofadas fixadas no alto da cabeça...coroando um final de semana inesquecível. Com o passar do tempo fomos nos acostumando com a novidade, ou seja, treinar de hakama. Muitos pisões e pequenos acidentes aconteceram até que o hakama começasse a fazer parte do nosso uniforme de maneira natural. Afora isso, nossos colegas passaram a, talvez instintivamente, a “exigir” um pouco mais de nós, chegando até a desafiar nossa capacidade técnica e quanto a mim, tinha aquela obrigação de “mostrar serviço” e acabava até a estrapolar nos treinos...tudo justificado pela imaturidade do momento. Ao final de 1998, fui convidado pelo Rodolfo Sensei a iniciar um trabalho na cidade de União da Vitória, ao sul do estado. Imediatamente aceitei pois me achava em condições de ensinar algo ainda que não fosse yudansha (isso ocorreu 9 meses antes do meu exame). Hoje eu avalio a minha total inexperiência e toda a dificuldade que tive, apenas superada pela vontade e determinação em estar lá em União apresentando um pouco de Aikido aos meus amigos. Em União da Vitória-PR e Porto União-SC, as “Gêmeas do Iguaçu”, pude formar um grupo de amigos que duram até os dias de hoje. O início dessa caminhada em União aconteceu por intermédio do Sr. Wagner Vieira. Funcionário público da Receita Estadual de Santa Catarina, Wagner San vinha a Curitiba para treinar sempre que podia e pediu ao Sensei Rodolfo para que formasse uma turma lá em União da Vitória...aí é que eu entrei na história, como disse, a pedido do Sensei Rodolfo. Fizemos uma demonstração com muitos interessados...a maioria está no Aikido até hoje. Alguns treinando e outros somente pelo “status” que o Aikido oferece àqueles que se acham auto-suficientes e desprezam a convivência e a parceria com suas origens. Entretanto, o destino se encarrega de tudo. Desse trabalho que durou até 2001, restaram alguns frutos sadios. Frutos como o Sensei Marcos Grzelczak, hoje faixa-preta 3º Grau...quando começou no Aikido, naquela apresentação em 98, ainda era um menino. Hoje, chefe de família a pai de dois meninos, professor de Educação Física, professor universitário e grande Fisioterapeuta. Sempre segue treinando Aikido...com seu inegável alto nível técnico, inabalável moral e lealdade a mim, ao Sensei Rodolfo e toda história do Aikido Paraná, como manda a receita do bom samurai. Fora os amigos do Aikido, pude fazer grandes amizades que transcendem os limites do Dojo. Sempre que ia a União da Vitória, após ficar algumas vezes em hotel, fui convidado pela família do meu então aluno Marcos a ficar e pernoitar em sua casa. Novamente pude sentir aquele clima de família...pai, mãe, irmão, café da manhã, e que café da manhã, preparado em fogão à lenha...chimarrão e muitas conversas com o Seu Tadeu e Dona Ilda, pais do Marcos Sensei, família que tem um lugar muito, muito especial dentro do meu coração. Após meu exame de faixa-preta, fui procurar um local para dar aulas de Aikido também aqui em Curitiba. O primeiro local que encontrei foi a AABB – Associação Atlética do Banco do Brasil. Entretanto, me foi reservado o horário das 21:30 horas em uma sala lá no final do corredor. Ou seja, ao final de todas as outras atividades eu estava começando a minha aula, em um local onde não passava uma viva alma, pelo menos não naquele horário. Nessa época cheguei a convidar um antigo praticante carente do Sensei Rodolfo, o Dario, um imigrante argentino que tentava levar a vida dignamente aqui em Curitiba, sempre trabalhando, apesar das inúmeras dificuldades que uma cidade grande impõe a pessoas sem um emprego, sem uma formação e que não domina muito bem o nosso idioma. Com o passar do tempo, após dois meses de treino e nenhum aluno matriculado, resolvi procurar outro local para oferecer Aikido. Escolhi a Academia de Artes Corporais Bodhidharma, na Avenida das Torres. Para minha sorte, tinha um companheiro de treino, o Luiz Fernando, na época aluno do Sensei Rodolfo, que é psicólogo e conhecia o proprietário daquela academia, o também psicólogo professor Gilberto Gaertner – faixa-preta e professor de Karate na academia. Fui muito bem aceito e me reservaram o “horário nobre” das atividades de academia, entre as 19 e as 21 horas, um horário antes das aulas de Jiu-jitsu. Lembro que chegava antes do horário e ficava observando o final das aulas de Karate do Sensei Julio Arai, pelo qual mantenho profunda admiração e respeito, dado a cordialidade e educação que sempre demonstrou por mim e pelo Aikido. Entretanto, algumas coisas foram desgastando minha permanência tranqüila na academia. Nos foi reservado um pequeno espaço diante dos três editais para recados do Karate, além de termos em nossas fotos desenhados chifrinhos, dentes de vampiro, cabelinhos, etc. Nossos materiais de treino não tinham lugar específico e, depois, ao chegar no horário de encerrar o treino já éramos “convidados” a nos retirar rapidamente da academia pela secretária, pois ela queria fechar logo o local. Não era raro eu ficar atendendo e recebendo mensalidades no estacionamento da academia...com chuva sob a tampa do porta malas do meu carro. Antes disso, quando ainda não havia nenhum aluno matriculado, eu ficava praticando sozinho...quedas, shikko, treinos de bokken e jo, além de meditar um pouco. Como nosso treino era antes do Jiu-jitsu, alguns alunos dessa modalidade chegavam antes e ficavam fazendo gracinhas, atiravam seus uniformes até o meio do tatame para ver a minha reação...tudo isso até o dia em que, já com alguns alunos, em meio a uma aula vi um uniforme sendo arremessado para dentro do tatame pela janela da frente do Dojo, que era no primeiro andar. Continuei o treino normalmente até que o dono subiu até o local e me solicitou que o apanhasse. Interrompi a explicação e, aproveitando que eu estava com meu bokken, “pesquei” o uniforme com a ponta da espada e levei até ele dizendo de forma firme e decidida...PEGUE!!! Nunca mais tive problemas com esses meninos mas confesso aquilo começou a me incomodar. Em outubro de 2001, fizemos um churrasco e uma reunião com o grupo para definirmos o nome do grupo, que até então era conhecido como “Grupo de Praticantes da Academia Bodhidharma”. Foram sugeridos alguns nomes e o vencedor foi: Aikido Shugyo Dojo, com tudo devidamente registrado em ata. Após ser desligado do quadro de funcionários do HSBC, prestei vestibular para Educação Física e procurei outro lugar, em outro bairro, para ter mais uma opção de aulas de Aikido em Curitiba. Escolhi a Academia Happiness, no bairro Boa Vista, onde, novamente, fui muito bem recebido e onde penso que fiz um bom trabalho por cerca de um ano, onde trago comigo alunos daquela geração: Alesandro e André san, faixas-pretas 2º Dan e Elizandra San, sua esposa, faixa-preta 1º Dan, todos comigo até hoje. Após quatro anos na Bodhidharma, um ano na Happines e uma boa turma já formada, fizemos uma grande reunião na Associação Vicking para conversar se havia possibilidade de conquistarmos um espaço exclusivo para a prática do nosso Aikido. A idéia foi muito bem aceita por todos e assim, fomos para o local em que o nosso Dojo se encontra até os dias de hoje, no bairro Cajuru, onde nasci e cresci. Um fato curioso mas divertido é quando, nos treinos de sábado pela manhã, eu estou no Dojo e minhas antigas vizinhas, que me viram crescer, senhoras de idade indo comprar frutas e verduras no varejão, próximo dali, param para conversar um pouco, me atualizando as notícias do bairro. Esse foi o início do nosso grupo, o Aikido Shugyo Dojo. Grupo que tenho imenso orgulho de liderar e fazer parte. Tento honrar todos os dias da minha vida o empenho, o amor, o carinho e toda a consideração que meus alunos demonstram por mim e minha família. Só posso retribuir isso a eles tentando melhorar as aulas, dando exemplo, cuidando do Dojo, de nossas coisas, promovendo nossas confraternizações, nossas viagens, a busca incessante pela perfeição no treinamento das técnicas, procurando treinar sempre que possível em todos os eventos em que os acompanho e isso todos são testemunha...sempre sigo treinando, nunca me conformei em ficar olhando os outros treinando. O Aikido faz parte do meu ser...da minha vida! Esse é o Aikido shugyo Dojo, um grupo que não é melhor do que os demais...simplesmente fazemos o nosso caminho com muito amor pelo Aikido, pelos meus professores lá na origem, Senseis Fernando e Nicolás. Ao meu professor, Sensei Rodolfo Reolon e à memória do nosso eterno Mestre...o Shihan Reishin Kawai. Sensei Gilberto Marecos Faixa Preta 4º Dan – Aikikai / Shidoin |